CONSÓRCIO GUAICURUS REAGE A INTERVENÇÃO E DIZ QUE “SOLUÇÃO” É MAIS DINHEIRO PÚBLICO

CAPITAL

Campo Grande, 10 de junho de 2026

Diretoria da concessionária reconheceu precariedade da frota e falhas operacionais

Após a comissão especial da Prefeitura decidir pela intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus reconheceu as falhas apontadas na auditoria e insistiu na tese de que a solução seria mais dinheiro público.

Em nota oficial disparada após o relatório final da intervenção, o grupo que detém contrato bilionário volta a defender a tarifa técnica de R$ 7,79 — que é alvo de disputa na Justiça. “O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei”, diz, em trecho da nota.

Vale ressaltar que a concessionária deve receber cerca de R$ 70 milhões da Prefeitura de Campo Grande somente neste ano.

O relatório final da comissão recomendou a intervenção na concessão do Consórcio Guaicurus mediante a nomeação de um interventor para “assegurar a continuidade, a regularidade, a segurança e a adequação da prestação do serviço público essencial”, diz o documento.

A prefeita Adriane Lopes (PP) disse, nesta terça-feira (9), que a decisão sobre a intervenção será anunciada até sexta-feira.

Em declarações recentes, a prefeita de Campo Grande criticou o Consórcio Guaicurus, principalmente em relação à frota sucateada: “Desde que eu assumi a gestão, eu estou cobrando aquilo que é o objeto do contrato. Qual é o objeto do contrato? A gente faz a nossa parte, o município, e a empresa faz a parte dela. Hoje nós estamos chegando a 235 ônibus para serem trocados”, disse.

Autuações e ônibus velhos

Ônibus na garagem do Consórcio Guaicurus. (Henrique Arakaki, Jornal Mídia Max

Dois pontos apontados como críticos no relatório que pediu pela intervenção do Consórcio Guaicurus destacaram as mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e o alto índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.

Porém, a concessionária ‘joga a culpa’ na crise financeira por chegar a tais índices: “O Consórcio recebe as conclusões do relatório com serenidade, mas ressalta que os indicadores apontados pela comissão — tais como o volume de autuações, a idade média da frota e as dificuldades operacionais — não são a causa da crise do sistema, mas sim o reflexo direto e inevitável de um severo sufocamento econômico-financeiro que a concessionária vem enfrentando nos últimos anos”.

Para os empresários do ônibus, o alto número de autuações se dá pelo fato de a operação ser “gigantesca” e afirma que os atrasos representam percentual insignificativo dentro de todo o serviço prestado. “Quando comparado o total de notificações com o volume massivo de viagens realizadas no período de 2021 a 2025, o sistema apresenta um índice de eficiência de 99,99% no cumprimento de suas metas operacionais.”

Ao reforçar que precisa de mais subsídios, o Consórcio Guaicurus diz que “em a devida recomposição e o reequilíbrio econômico do contrato, torna-se inviável sustentar o ritmo de investimentos e a renovação da frota exigidos pelo contrato”.

Mais recursos

Alvo de reclamações diárias de passageiros, o Consórcio Guaicurus diz que a alternativa à intervenção seria mais dinheiro público na conta da concessionária.

“Como alternativa jurídica e administrativa mais segura para a cidade e para os passageiros, o Consórcio Guaicurus formalizou junto ao Município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização abrangente. O objetivo é estruturar um Termo de Ajuste que viabilize a injeção de recursos necessários para a renovação imediata da frota, revisão das linhas e otimização dos tempos de viagem, sanando as falhas apontadas de forma célere”, diz.

Por fim, o Consórcio pede ‘bom senso’: “O Consórcio Guaicurus reitera sua total disposição para manter um diálogo transparente e construtivo com o Poder Concedente e as instâncias de controle, confiando que o bom senso técnico prevalecerá para garantir um transporte público sustentável, seguro e digno para os cidadãos de Campo Grande”.

Fonte: jornal Midiamax