Parlamentar solicita medidas para aprofundar investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social
Campo Grande, 02 de setembro de 2025
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, em votação unânime, o requerimento de prisão preventiva de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, juntamente com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do instituto, e outros 19 suspeitos. O esquema, que teria causado um prejuízo de R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas, foi detalhado nas investigações da Polícia Federal e ganha novos contornos com a atuação da CPMI.
O deputado federal Beto Pereira (PSDB-MS) destacou a importância da ação, afirmando que o requerimento de prisão é “fundamentado no inquérito da Polícia Federal”.
Ele também fez um pedido durante a sessão: “É fundamental que esta Comissão solicite tutela de urgência para a indisponibilidade de bens e quebra de sigilo fiscal e bancário dos envolvidos”, enfatizou Beto, solicitando que a investigação considerasse todas as associações ligadas ao esquema, e não apenas as 12 mencionadas pela operação “Sem Desconto”. “Por que esse critério seletivo? Apenas 12 e não a totalidade que operou com o INSS?”, questionou.
A votação do requerimento foi respaldada por 26 votos, incluindo o apoio unânime de parlamentares da base governista e da oposição. Como a CPMI não tem autoridade para decretar prisões, o pedido será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro André Mendonça decidirá sobre a implementação da medida.
O presidente da Comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG),cobrou a prisão dos envolvidos e o bloqueio dos bens das entidades envolvidas. “É tão escandaloso que nós tenhamos já praticamente todo o esquema montado, descoberto, e que não tem ninguém até o momento nem sob risco de prisão. Mas no caso desse escândalo do INSS, já passou da hora de nós pedirmos à justiça que coloque na cadeia os principais envolvidos”, comentou.
Fraude começou em 2005
No depoimento desta segunda-feira (1º), o advogado Eli Cohen revelou que as fraudes que afetaram aposentados e pensionistas iniciaram-se em 2005. Cohen detalhou como o esquema, coordenado por figuras proeminentes, utilizou associações e sindicatos de fachada para realizar débitos indevidos em benefícios previdenciários.
Cohen citou os nomes de pessoas que supostamente coordenavam o esquema. Ele detalhou o papel de cada uma delas nas fraudes, chefiadas pelo empresário Maurício Camisotti e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Ele relatou que, em abril de 2023, levou as revelações à Polícia Civil de São Paulo e, posteriormente, compartilhou informações com a imprensa, que ajudaram a lançar luz sobre o escândalo.
Cohen disse ainda que há suspeitas de que as fraudes contaram com suporte político no Legislativo, no Executivo e no Judiciário.
“Isso aqui não funcionou sozinho. Isso aqui funcionou com a leniência, por exemplo, do Ministério Público, com a leniência de um juiz que tinha 400, 500 ações ali com o mesmo mérito e encarava isso como um problema de consumidor. Quer dizer, isso é muito grande, é muito maior”, afirmou na CPMI.
O senador Carlos Viana anunciou que a CPMI se reunirá três vezes por semana e que serão requeridas informações sobre as visitas de Antônio Carlos Camilo Antunes à Câmara e ao Senado para investigar possíveis conivências.


