“ESTAMOS DIANTE DE APENAS 15% DO ROMBO”, AFIRMA DEPUTADO BETO PEREIRA SOBRE CPMI DO INSS

CAPITAL

Campo Grande, 17 de outubro de 2025

Ao realizar um balanço dos 60 dias de atividades da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o deputado federal Beto Pereira (PSDB-MS) ressaltou que, até o momento, as investigações mostram apenas “15% do tamanho do rombo” associado às fraudes no sistema previdenciário.

A Comissão já ouviu 12 pessoas, incluindo presidentes de associações e sindicatos, ex-diretores do INSS e ex-ministros da Previdência. Beto destacou a gravidade da situação, afirmando que há uma estrutura complexa, composta por empresas que realizavam descontos indevidos, lobistas que buscavam a autorização para operações fraudulentas e um esquema de “empresas laranjas” que encobriam os recursos desviados.

O parlamentar ressaltou que a cada depoimento, fica evidente que a organização “não tinha pudor e nem medo”. “O que se pode afirmar é que havia uma megaoperação formada por empresas que faziam os descontos, lobistas que buscavam a autorização para que as empresas pudessem operar e empresas laranjas que ocultavam o dinheiro desviado. A cada depoimento, fica evidente que a organização não tinha pudor e nem medo. Estamos diante de apenas 15% do tamanho do rombo”, diz Beto.

O deputado fez uma crítica à ostentação excessiva promovida por integrantes do esquema. “O que fez a ‘casa cair’ para esse grupo era o prazer de ostentar. Viviam em mansões, promoviam festas e se cercavam de luxos, incluindo Ferrari e réplicas de carros de Fórmula 1 já apreendidos pela Polícia Federal”, destacou.

CPMI enfrenta blindagem

No que diz respeito ao poder da CPMI, Beto destacou a importância de assegurar sua soberania. Ele ressaltou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já concedeu sete habeas corpus a testemunhas, permitindo que permaneçam em silêncio durante os interrogatórios.

“A CPMI precisa ser soberana. Não pode estar subordinada nem a juízes nem a ministros. Cada parlamentar possui a função de interrogador e, caso uma testemunha se recuse a falar, podemos criar um juízo de valor sobre os fatos”, declarou.

Beto também delineou os três pilares centrais da CPMI: aprimorar a legislação para proibir descontos indevidos na folha de pagamento, responsabilizar todos os envolvidos nas fraudes e investigar as empresas implicadas, buscando o ressarcimento dos valores desviados.

“Estamos avançando para encerrar os descontos associativos que eram retirados diretamente da folha salarial. Um passo importante foi dado no mês passado, quando a Câmara Federal aprovou o texto-base do Projeto de Lei 1546/24, de autoria do deputado Murilo Galdino (Republicanos-PB), que trata dos descontos ilegais cobrados de aposentados e pensionistas.É imprescindível que o INSS não atue como intermediário em relações privadas entre beneficiários e sindicatos. Qualquer aposentado ou pensionista que deseje se associar a um sindicato deve fazê-lo diretamente, preferencialmente de forma presencial”, defende.

O trabalho da CPMI segue em ritmo acelerado, com a finalidade de identificar e corrigir irregularidades no INSS, além de implementar medidas preventivas que assegurem a proteção dos direitos dos aposentados e pensionistas brasileiros.